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equilíbrio instável
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Fotos da exposição coletiva O encontro é um lugar impossível" , no Centro Cultural dos Correios SP (maio/ 2022)   |   Curadoria de Allan Yzumizawa

Equilíbrio Instável é uma instalação composta por fotografias e por instruções (programas performativos) que parecem orbitar em torno de uma tarefa bastante prosaica: criar empilhamentos de objetos cotidianos, que possam sustentar o aparelho celular em diversas situações e espaços domésticos, acompanhando sua onipresença cada vez maior no dia a dia, especialmente após o início da pandemia do Covid 19.

 

As fotografias trazem empilhamentos que se apresentam como estruturas possíveis, mas que possuem algo de improvável – e que, apesar de cumprirem sua função, o fazem de forma insatisfatória: carregam, em sua essência estrutural, um equilíbrio frágil, prestes a desmoronar, assim como toda a vida política, econômica, social e de saúde pública brasileiras. São “esculturas-gambiarras”, ao mesmo tempo totens de incerteza e pequenos altares para a tecnologia – dentro dos quais surgem, diminutas, as únicas presenças humanas possíveis. Afinal, mais do que extensão do ser humano (como propunha McLuhan), vimos a tecnologia tornar-se sua substituta.

 

As instruções, por sua vez, propõem empilhamentos cujo equilíbrio é evidentemente impossível. E encerram-se com ações para além da tarefa de empilhar – ações que ampliam a dimensão humana e política das proposições textuais e que convocam a presença humana, na figura do espectador, a engajar-se ativamente na obra, convidando-o para fora da passividade-quase-em-queda do aparelho celular.

 

Tanto as imagens quanto as instruções trazem um certo humor cercado de desconforto. Juntas, possibilitam uma dinâmica em que concreto e imaginário se complementam enquanto possibilidades. E, nesse jogo, provocam: como não desabar na vida fora das telas?